31.1.14

"Escuta, já ouves o trabalho das primeiras..."

Escuta, já ouves o trabalho das primeiras
Enxadas; de novo o ritmo humano
Contido na calma de uma terra forte, na aurora
Da primavera. O porvir te parece.

Um sabor ainda não saboreado. O que
Tantas vezes já veio e parece chegar,
Outra vez, como novidade. Sempre esperado,
Nunca o conquistaste. Ele é que te conquistou.

Mesmo as folhas de carvalhos atravessados pelo inverno
Brilham à tardinha numa fermentação futura.
Às vezes os ares te fazem sinal.

Negros são os arbustos. Na verdade, montes de adubo
Entulhados nos prados como uma fartura negra.
Cada hora que passa torna-se mais jovem.
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Rilke, Rainer Maria
soneto 25 d'Os Sonetos a Orfeu