30.9.08

Quer um pouco de lucidez por entre o que foi escrito sobre o fim-de-mundo econômico que se nos avizinha? Leia o blog do Carlos Alberto Sardemberg.

Um trecho de um dos posts de hoje:

A tese segundo a qual o “governo não deve colocar dinheiro para salvar banqueiros” – que circula hoje em todo o mundo – só faria algum sentido se fosse possível isolar os bancos do restante da sociedade e da economia. Não é possível.

Se o governo não coloca dinheiro para resgatar bancos e o sistema financeiro, o que acontece? Os bancos quebram.

O que significa quebrar um banco? Significa que seus ativos não cobrem seus passivos. Você deposita dinheiro em um banco, isso é passivo do banco. É o que o banco lhe deve. Na outra ponta, o banco pegou o seu dinheiro e emprestou para alguém comprar uma casa. Esse empréstimo é um ativo do banco, o que ele tem a receber.

Se o banco não recebe esse empréstimo, ou seja, não consegue realizar esse ativo – porque o mutuário se tornou inadimplente – qual a consequência óbvia? Não terá como devolver o dinheiro do depositante.

Multiplique por milhões de operações de depósitos e empréstimos. Multiplique isso pelos milhões de correntistas, depositantes e aplicadores no sistema financeiro, que são pessoas e empresas – e terá uma idéia de quem são as vítimas de uma quebra de banco.

Isso é tão óbvio que é difícil entender como as pessoas não entendem e continuam a dizer que o governo não pode dar dinheiro aos banqueiros. Não é aos banqueiros, é ao sistema financeiro, aos bancos e seus clientes, correntistas, depositantes, aplicadores.


A forma como Sardemberg escreve me faz lembrar Joe Miller, personagem vivido por Denzel Washington em Filadélfia. Joe Miller tinha um método para entender e se fazer entender. Sempre que o interlocutor falava algo que fugia à compreensão Miller o interrompia pedindo para que ele (o interlocutor) explicasse "como se eu tivesse 6 anos de idade." Pois é: o bom jornalismo, além de trazer à tona obviedades que se esquecem (ou se negligenciam) pela montanha retórica da imprensa diária é aquele que se faz entender com pouco esforço mental e total honestidade intelectual.

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