15.3.08

Amy, Amy...

Apesar de gostar muito de música pop, sou daqueles que levam um tempo antes de gostar de algo em moda. Aconteceu isso com a Amy Winehouse. E hoje simplesmente não sei como fiquei tanto tempo sem conhecê-la. Ah, lembrei por que: num primeiro contato ela me pareceu daquelas sub-celebridades que aparecem mais pelos desatinos públicos que pelo que produzem.

Bem, Amy é inclassificável. Isso por si só é ótimo. Uns a vêm como uma cantora de jazz, outros, como uma soul lady, outros ainda como uma reencarnação da santíssima e patética trindade sexo, drogas e rock and roll.

Eu a vejo como uma ótima cantora. Simples assim. Daquelas que valem a pena ficar ouvindo por horas a fio. Às vezes jazzy, às vezes soul, às vezes rocker... Quem liga? O que importa são as interpretações personalíssimas, e essas, negada, transcendem os rótulos. Quando eu soube que a moça recrutara uma legítima banda de soul para o último disco (leia sobre) meu senso crítico baixou a guarda. Quando eu a ouvi cantando 'Valerie' (aqui) fui à lona e o juiz iniciou contagem. Levantei bastante zonzo ("it's just a one-hit-lady") e ela, impiedosa que só, me dá um direto na forma de 'Teach me tonight' (a la Billie Holiday), ao vivo no programa do Jools Holland (aqui), com banda de rythm and blues (daqueles tradicionais). Nocaute.

O melhor dela é, pois, 'ao vivo'. Gosto da presença de palco da moça. Passa a impressão de ter uma timidez mal-disfarçada que vai embora tão logo solte a voz sob as luzes do palco. E quando ela solta a voz...

Posso dar um conselho, leitor amigo? Esqueça o envolvimento da moça com as drogas (um bom programa de reabilitação resolve), esqueça 'Rehab', esqueça a duvidosa honraria do Grammy. Ouça Amy Winehouse já!

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