5.5.06

Um belo artigo do Ruy Nogueira + uma foto elucidativa...

Primeira Leitura : entenda : Os mágicos, os “siqueiras” e os petroleiros

Globalização Intelectual

No penúltimo post escrevi que somos um país intelectualmente globalizado. Talvez eu deva me fazer entender: nossa economia foi aberta ao mundo (ou reaberta, a depender do ponto de vista) meio que a contragosto. salvo honrosas exceções, por entre todas as matizes intelectuais, políticas ou partidárias faz-se muchochos às multinacionais, aos empresários bem-sucedidos e afins. Fato curioso é uma IMBEV conquistando a Europa empolgar menos que uma Petrobrás na Bolívia. Depreendo daí o amor que o brasileiro tem (ou que a 'crasse intelectuá' martela) às estatais e outras Mamatabrás remanscentes como um ranço nacionalista e, por que não?, anti-mercantilista (ou anti-globalista, caso queiram). Dêem oportunidade e nossos Evos Morales saem do armário (¡ui, estoy loca!).

Como eu ia dizendo, a abertura econômica acabou por se impor; o populacho agradece. Porém, enquanto fomos compelidos ao Mercado mundial promovemos olimpicamente a globalização intelectual.

Aqui cabe um adendo: uso o termo 'globalização' de forma pejorativa. Penso que o que chamam de globalização nada mais é que uma interdependência das nações que deveria ser corriqueira, séculos depois que os primeiros navegadores saíram pelo mundo, criando novos mercados. Para mim essa palavra denota um economicismo canhestro. Fica, pois, estabelecido que a expressão 'globalização intelectual' ilustra uma massificação de idéias igualmente desprovidas de brilho.

Que globalização é essa? O que esses globalizados oferecem? Basicamente relativizações, rancores, culpas... Adotam lugares-comuns que quase instantaneamente reverberam urbi et orbi. Gente muito melhor que este escriba enumerou dezenas, centenas,dessas maravilhas. (Quem lê este blog-blefe sabe de quem estou falando.) Um arsenal psicológico e semântico a penetrar corações e mentes, mundo afora. (Não exagero: moro num rincão baiano pobre de dar dó cuja população se esforça para fazer valer o famigerado direito à cidadania, busca a inclusão social, a inclusão digital... Enfim, rezam a cartilha politicamente correta.)

Um dos absurdos mais arraigados é a relativização do comunismo frente ao nazismo. Ambos foram cruéis e sanguinários (aquele mais que este), porém, o comunismo ainda provoca suspiros de nostalgia, enquanto o nazismo, que matou bem menos gente, merece asco, com proibição de culto prevista na Constituição! (By the way: ambos merecem asco) Este é um ponto pego a esmo e que serve de ilustração ao globalismo intelectual que o Brasil abraça e que, desgraçadamente, parece que faz repasto.

É isso.

P.S.: "Direito à cidadania", "Inclusão Social", é o direito que o populacho tem de fazer as coisas que ele acha que a 'Zelite' faz,claro que sem o trabalho que certamente a 'Zelite' teve. Para o bem e para o mal.