8.11.05

Nota sobre o 'ziriguidum'

O Brasil, rincões afora (principalmente no norte, nordeste e parte do centro-oeste), tem o que podemos nomear de sistema de capitanias hereditárias no que diz respeito à política. (O poder central tolera pequenas tiranias espalhadas aqui e ali, desde que não se mexa no sistema político como um todo. Aliás, anote aí, Arcádia: pra simplificar, doravante chamaremos o sistema político brasileiro de 'ziriguidum')

Em âmbito estadual lembro dos casos do Maranhão (capitaneado pelo 'Moribundo que é Fogo'), de Alagoas (com aquela Turminha Collorida) e da Bahia, hours concour, com( a Associação Crisã de Moços', que atende pela alcunha de ACM - axé babá!)*. São Paulo teve Ademar de Barros e Paulo Maluf (acredite, Maluf já era! Talvez ganhe eleição pra síndico de prédio do Cingapura).

O que quero dizer é que em várias regiões do Bananão e em variados graus, há políticos que exercem um poder quase mitológico sobre tudo e todos (ou vocês acham que um certo Severino não estará de volta ao congresso logo, logo?)

O 'ziriguidum' agradece.

Mas estou aqui a falar sobre coisas menores e ia me esquecendo onde quero chegar. Quero falar do PT. Se o rrrrespeitável público olhar bem, o partido que é 'guardião
da ética e a redenção dos oprimidos' está a fazer em âmbito nacional o que os singelos senhores acima citados fazem em seus respectivos rincões. E está em estágio bem adiantado.

Como sabemos, um grande naco da mídia embarcou na do partido. Sindicatos e igreja católica embevecem-se. Movimentos** sociais idem. Juventude está cerrada em suas fileiras ideológicas (a permissão de voto aos adolescentes foi um belo impulso ladeira abaixo. Jovens. Estúpidos e entusiastas. ***)

Parafraseemos a neo-philosofie que vem dos morros cariocas: "tá tudo dominado!"

Mas ainda não é disso que quero falar. Quero falar sobre um traço nefastamente interessante da physique du rôle nordestina. Cá no Nordeste - estou na Bahia - há quem veja a sério o PT como um injustiçado. "O problema não é o PT roubar, mas não o deixarem roubar." Gente que eu achava séria diz isso! Na Academia. No populacho. É mais ou menos assim: "Locupletemos-nos todos! Irmãmente."

Décadas sob a opressão de ribamares, Collor de Melos, Magalhães, não foram suficientes para fazê-los perceber a mesma armadilha ser montada por outra força. Ou o nordestino subverte a si mesmo e a sua própria ética, ou sua (a deles) ética é a mesmo dos seus opressores.

Teremos que mudar aquele ditado, por que no Norte e no Nordeste gato escaldado já não tem medo de água fria...

Footer notes:
* todos eleitos pela população. Frise-se. E todos abençoando vários medalhões (anrã) da, er, bem... cultura nacional. Frise-se de novo.
** movimento por movimento, prefiro o calipígeo.
*** referência aqui.

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