11.11.05

Esse rapaz, sei não, se ninguém fizer nada acaba ganhando o Nobel...
O PRIMEIRO MORTO
By João Filho

Não houve um Éden.
A carne é perversa
não porque fomos expulsos.
O mais duro em nós.
– Os ossos?
Não. A fé.

Toda coisa esconde sua sombra,
desimporta o
que aplicares –
práxis ou contemplação;
não se revelam,
impondo
existimos. Movimento (talvez espúrio)
ao que imaginamos e
ao
encontrado.

A carne da fogueira inicial
não alimentou o primeiro morto.
O que perdemos pelo caminho?
O caminho?
A gravidade patética.
Horror que gera melhora.
O oxímoro e o paradoxo.
Purula e sana.

Memória e sonho ibidem.
(Sono e morte, não).
Toda matéria é desespero.
Nomear é modo
de menos
morrer.
Por isso pomos sapatos, rimos, comprimentamos,
aquilo do humano acumulado,
do imprestável e do
imprescindível.

O que nos legou o primeiro morto?
Saber que
as almas envelhecem?
É pouco.
Tem mais (aqui(breve) e aqui)

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